Temer nega “golpe” e afirma que forma como Bolsonaro se comunica não é boa “para a imagem do Brasil”


Em entrevista publicada na manhã desta sexta-feira (18/10) por meio do canal BBC Brasil, o ex-presidente do Brasil, Michel Temer (MDB) voltou a falar sobre o cenário político e econômico vivido pelos brasileiros. Destacou que não houve “golpe” durante o processo de destituição da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e que o rito do impeachment seguiu a “aplicação do texto constitucional”. Destacou que é inegável a popularidade do ex-presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva e é sempre imprevisível fazer pontuações sobre o futuro político ao ser questionado se acreditava que caso solto, Lula teria forças para mais um pleito. “Quem diria que quando se lançou, Bolsonaro seria eleito?”, pontuou Temer. Ainda sobre o atual presidente da República, Jair Bolsonaro, Temer disse que seu estilo de falar que busca “o confronto”, “não é bom para a imagem do Brasil”.

Foi a segunda entrevista que Michel Temer concedeu depois que deixou a presidência da República em janeiro. A primeira foi à TV Cultura, aos jornalistas do Roda Viva. Na ocasião, chegou a se referir ao processo de impedimento da então presidente Dilma Rousseff como “golpe” por quatro vezes. Questionado se nas entrelinhas não estava deixando alguma mensagem, Temer pediu para que analisassem o contexto. Ele diz que as perguntas ali estavam sendo formadas para que ele “assumisse” que houve algum tipo de articulação para o golpe. “E muitos momentos, um ou dois entrevistadores, falaram em golpe. E eu disse: “olha, quando começou o processo, como o vice-presidente é sempre o primeiro suspeito eu vim para São Paulo e fiquei três, quatro semanas. Só voltei três dias antes da votação na Câmara e eu disse que não participei de absolutamente nada, evidentemente não participei do golpe. Eu realmente disse isso”, mencionou. 

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Questionado novamente se houve ou não algum tipo de golpe, Temer negou: “Não houve golpe, o que houve foi a aplicação do texto constitucional”.

Tivesse tornado ministro, Lula teria apaziguado as forças que buscavam o impeachment? Temer prefere analisar o assunto com uma determinada precaução. Para ele, o clamor popular já era forte demais no contexto em que Dilma vislumbrou anunciar Lula como ministro chefe da Casa Civil. Para Temer, não dá para se negar a popularidade e poder de articulação do ex-presidente. “Não posso negar que o presidente Lula tinha muito prestígio no Congresso, naquela época. Facilitaria o governo? Não tenho dúvida. Por esse prestígio, pelos contatos que tinha com o Congresso Nacional”, pontuou.

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Caso Lula seja solto, também há uma possibilidade de retornar a presidência no futuro? Temer também adota uma postura defensiva para tratar do assunto. Ele acredita que é díficil “prever o que irá acontecer”.  “Difícil dizer. Você veja no caso do presidente Bolsonaro quando ele se lançou, alguém diria que ele seria presidente da República? As coisas são assim, o eleitorado num dado momento quer modificar o sistema existente ou os critérios existentes e opta pela bandeira que ele entende e que seja melhor para o país. É difícil prever o que irá acontecer”, analisou.

Michel Temer também não deixa de falar sobre o atual presidente da República, Jair Bolsonaro. Ele elogia a forma como Bolsonaro tem se relacionado com o Congresso. “Ele e os ministros, eles vão muito ao Congresso. Eu confesso a você que eles vão mais ao Congresso que eu”, pontuou dizendo que em todo o período que ficou à frente do país fez apenas três visitas ao Congresso. Pontuou no entanto, que o estilo “de confronto” adotado nos discursos de Bolsonaro atrapalham “a imagem do país”. “Cada um tem seu estilo. O estilo do presidente é um estilo de confronto diferentemente do meu, que ignorava essas questões ou simplesmente agregava as pessoas. É claro que isso  não é bom para a imagem do país”, analisou.

Temer se referia à questão das queimadas e o desmatamento na Amazônia. Para ele, Bolsonaro acabou provocando uma crise desnecessária pelo tom elevado que adotou na comunicação. “Uma questão curiosa: todo o ano tem queimada na Amazônia, né? Quando chega o período de seca, tem queimadas. O que aconteceu penso eu, foi que o presidente resolveu confrontar aqueles que o criticavam ao invés de tomar as providências que aliás tomou, ou seja, mandar todo o sistema de combate à incêndios pra lá, inclusive o Exército”, explicou.

Encerrou dizendo que a crise poderia ser evitada caso a postura e o diálogo fossem diferentes. “Eu acho que é a forma de se manifestar e falar que criou um problema internacional”, pontuou.

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