Marco Faró, da FGV (Foto Divulgação)
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Em tempos de campanha eleitoral, as estruturas de “guerrilha virtual” já estão em operação para atender aos candidatos na divulgação das mensagens para conquistar os eleitores. A legislação permite que o candidato faça campanha nos seus perfis. O diretor de Comunicação e Marketing da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcos Facó, em entrevista ao Estadão, avaliou que os agentes políticos precisam aprender muito para entender o alcance do trabalho que é feito nas redes sociais.

Trecho da entrevista:

Quem faz política nas redes sociais está falando para quem?

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Se você não prestar atenção, você só vai falar para quem gosta de você. Para os políticos alcançarem um retorno real nas redes sociais, eles vão precisar de investimento. Não existe horário eleitoral gratuito nas redes sociais. Para falar com quem não é convertido, os políticos e partidos terão que investir em posts pagos, por exemplo.

Mesmo se o candidato tiver milhões de seguidores?

Milhões de seguidores não quer dizer nada. Os maiores usuários de Twitter, por exemplo, são os jornalistas e pessoas ligadas ao mundo da comunicação. E ainda tem quem diga que o Brasil usa o Twitter… Nem o jovem usa tanto como se imagina. Esses posts que se espalham pelo WhatsApp, Facebook e Twitter são resultantes do trabalho de convertidos. Quem acessa esse material já é o eleitor desse candidato. O impacto em termos de conquista de voto é muito baixo. Não acredito no poder de transformar esse engajamento em voto.

O eleitor mais jovem, aquele que quase não assiste a TV aberta, não pode ser influenciado por esses meios?

Sim, totalmente. Agora, o profissional de marketing não consegue falar, entrar na mesma conversa, não consegue debater com esse jovem. Eles são mais críticos ao status quo e, naturalmente, estão nos extremos do debate político.

Políticos sabem usar a rede?

Políticos não usam bem as redes sociais. O marketing político atinge uma classe pequena, mas acha que está atingindo todo mundo. É difícil pautar as redes sociais quando você não está nos extremos. Tudo parte do amor ou do ódio. Quem está no meio, quem se manifesta num nível mais profundo de discussão, pouco participa desse debate. O barulho é de quem ama e odeia, quem defende ou ataca. O político recebe likes e só ouve elogios. Os críticos são reduzidos. O marketing político é incipiente no digital. Na TV, é mais simples e funciona.

A íntegra da entrevista pode ser acessada, aquí.

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