O labirinto do lugar comum

Texto de Marcos Cipriano, jornalista


O Brasil virou um país chato de se viver. Primeiro você não pode dar opinião porque é xingado, patrulhado e reduzido a “um coxinha” ou a “pão com mortadela”.
Perdemos a capacidade de conviver com opiniões diversas das nossas, até mesmo respeitar a falta de espírito crítico, traduzido pelo analfabetismo político. Estamos sob a égide do labirinto do lugar comum.
O campo nunca esteve tão fértil para extremistas, salvadores da pátria, moralistas de plantão, manipuladores de toda ordem.
É preciso desarmar os espíritos, preservar as conquistas democráticas dos últimos 30 anos.
E isso não se faz com vindicta pessoal, caça às bruxas, tiros e rompantes de valentia.
Não se pode apenas prender os corruptos, mas também os corruptores.
O Supremo precisa parar dessa história de ter medo de tomar decisões temendo a opinião pública.
Não é razoável que um ministro interrompa uma sessão histórica da corte porque tem de viajar.
Não é plausível que o homem da mala continue calado, sem explicar onde e de quem pegou R$ 500 mil reais em espécie e pra quem entregaria.
A esquerda também não pode esconder o seu fracasso, mas nem por isso a extrema direita pode se apresentar como o remédio para todos os males e mazelas.
Como escreveu semana passada o jornalista Fernando Gabeira, “o Brasil que habitava desde a redemocratização pelo menos tinha esperanças. O que se vê hoje é o declínio de toda a experiência democrática das três últimas décadas. O sistema político foi engolfado pelos custos de campanha, corrompeu-se e perdeu o contato com a sociedade”.

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