25 de fevereiro de 2024
Brasil • atualizado em 15/02/2022 às 10:29

Morre o cineasta Arnaldo Jabor aos 81 anos

(Foto: Divulgação).
(Foto: Divulgação).

O cineasta Arnaldo Jabor morreu na madrugada desta terça-feira, 15, em São Paulo. Ele completou 81 anos no dia 12 de dezembro e estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o dia 16 de dezembro, quando foi internado depois de um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. Em comunicado, o hospital informou que o cineasta chegou a ser submetido a um procedimento vascular para desobstrução de coágulo. No final de dezembro, outro comunicado dizia que Jabor estava consciente e se recuperando.

Em uma rede social, a produtora de cinema Susana Villas Boas, ex-mulher de Arnaldo Jabor e mãe de João Pedro, comentou que seu filho havia perdido o pai e o Brasil, “um grande brasileiro”.

Cineasta que alcançou reconhecimento de público e crítica no final dos anos 1960, ainda sob os ecos do Cinema Novo, Jabor nasceu no Rio de Janeiro, em 1940, filho de um oficial da Aeronáutica e de uma dona de casa. Apesar de conhecido como diretor de filmes fundamentais, como Toda Nudez Será Castigada, ele também trabalhou como técnico de som, crítico teatral, roteirista e colunista de jornais e televisão.

Seu primeiro longa foi um documentário inovador, Opinião Pública (1967), em que realiza uma prospecção da mentalidade da classe média brasileira. Já nos anos 1970, com o aperto da censura política e social promovida pelo regime militar, envereda por caminhos metafóricos, como em Pindorama (1970), cujo excesso de barroquismo foi admitido por ele mesmo, anos depois.

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Já em 1980 lançou Eu Te Amo, análise intimista e sexual de um casal, interpretado por Sonia Braga e Paulo Cesar Pereio. Finalmente, em Eu Sei Que Vou Te Amar (1986), repete de alguma forma o tom de psicodrama do trabalho anterior, agora com um casal mais jovem, Fernanda Torres e Thales Pan Chacon.

No início da década de 1990, com o fim do fomento estatal para a produção cinematográfica patrocinado pelo governo Collor, Jabor iniciou um longo período sem filmar, momento em que alcançou grande sucesso popular como comentarista de jornais como Estadão, Folha e O Globo, além de aparições constantes nos noticiários da TV Globo e participação no programa Manhattan Connection, da GloboNews.

O estilo irônico e libertário com que comentava as notícias lhe rendeu admiradores, mas também detratores, especialmente na política. Retomou a carreira de cineasta em 2010 com A Suprema Felicidade, filme em tom de memória, mas não pessoal: uma trajetória inventada com o que Jabor fez um retrato do Rio de Janeiro da sua infância. (Estadão Conteúdo).

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