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quarta-feira, 28 julho 2021

Fiocruz aponta que é preciso um fechamento rígido em grande parte do Brasil para diminuir a pandemia

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A Fundação Oswaldo Cruz, (Fiocruz) divulgou nesta terça-feira (23) o novo Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 Fiocruz que pede medidas mais rigorosas para o combate à covid-19. Segundo o documento seria preciso realizar uma restrição das atividades não-essenciais por 14 dias por 80% da população brasileira.

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Os pesquisadores explicam que esse quadro atual no país, de colapso no sistema de saúde, é um somatório de fatores iniciado ao longo dos últimos meses.

“Desde o início do mês de março, o país assiste a um quadro que denota o colapso do sistema de saúde no Brasil para o atendimento de pacientes que requerem cuidados complexos para a Covid-19. Este colapso não foi produzido em março de 2021, mas ao longo de vários meses, refletindo os modos de organização para o enfrentamento da pandemia no país, nos estados e nos municípios”, relata.

Ainda segundo os pesquisadores, o aumento dos casos acarreta situações delicadas no tratamento dos pacientes graves da covid-19, dessa forma comprometendo os cuidados nessas vítimas da doença.

“O cenário é preocupante, pois indica que pode estar havendo uma situação de desassistência e falhas na qualidade do cuidado prestado para pacientes com quadros graves de Covid-19. A incapacidade de diagnosticar correta e oportunamente os casos graves, somado à sobrecarga dos hospitais, em um processo que vem sendo apontado como o colapso do sistema de saúde, pode aumentar a letalidade da doença, dentro e fora de hospitais”, diz. 

Os pesquisadores apresentam dados das últimas semana que alertaram toda equipe responsável por este estudo. Com relação às taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS, os dados obtidos no dia 22 de março continuam indicando um quadro extremamente crítico no Brasil. O Boletim destaca, na região Norte, a saída do Amazonas da zona crítica para a de alerta intermediário, agora com uma taxa de 79%. Em contraponto, alerta para a piora do quadro na região Sudeste: na última semana, em Minas Gerais, a taxa cresceu de 85% para 93%; no Espírito Santo, de 89% para 94%; no Rio de Janeiro, de 79% para 85%; e em São Paulo, de 89% para 92%. A região Sul e a Centro-Oeste mantiveram taxas superiores a 96%. Piauí (96%), Ceará (97%), Rio Grande do Norte (96%) e Pernambuco (97%) destacaram-se com as piores taxas na região Nordeste. 

Os pesquisadores alertam que, neste momento de crise, é urgente a adoção rigorosa das medidas de bloqueio da transmissão na quase totalidade dos estados e capitais. O estudo aponta ainda que é necessário um trabalho em conjunto com as três esferas políticas.

“A coordenação e integração destas medidas, articuladas entre os diferentes níveis de governo e com ampla participação da sociedade, é vital neste momento. Assim, mesmo que vários municípios e estados já venham adotando estas medidas, é fundamental que governos municipais, estaduais e federal caminhem todos na mesma direção para ampliá-las e fortalecê-las, uma vez que a adoção parcial e isolada nos levará ao prolongamento da crise sanitária”, afirmam.

O documento apresenta uma lista de medidas urgentes com o objetivo de conter a crise sanitária e o colapso do sistema de saúde.

“Para que essas medidas de bloqueio possam ser bem-sucedidas, elas devem ser adotadas conjuntamente, demandando cerca de 14 dias para que produzam resultados na redução das taxas de transmissão em aproximadamente de 40%, exigindo o monitoramento diário para acompanhar seus impactos na redução de casos, taxas de ocupação de leitos hospitalares e óbitos”, pontua.

Os pesquisadores afirma também que se não houver ações com o objetivo de seguir essas medidas apontadas no estudo, o cenário tende a colapsar não apenas no sentido sanitário, mas também numa crise humanitária.

“A continuidade dos cenários em que temos o crescimento de todos os indicadores para Covid-19, como transmissão, casos, óbitos e taxas de ocupação de leitos UTI, resulta em colapso que afeta todo o sistema de saúde no país e no aumento das mortes por desassistência”, destacam os cientistas no Boletim. “Trata-se de um cenário que não é só de uma crise sanitária, mas também humanitária, se consideramos todos seus impactos”, conclui.

Em pronunciamento nesta terça-feira (23), o presidente Jair Bolsonaro garantiu que todos os brasileiros serão vacinados ainda neste ano de 2021.

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