Deputado Lissauer Vieira (PSB) reune grupo com 28 votos e figura como provável presidente eleito (foto divulgação Alego)
Deputado Lissauer Vieira (PSB) reune grupo com 28 votos e figura como provável presidente eleito (foto divulgação Alego)
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Por Marcos Vinicius, jornalista, originalmente publicado no Onze de Maio


Com apoio de governistas, independentes e oposicionistas, deputado Lissauyer Vieira (PSB) deve superar votos de Alvaro Guimarães e ser eleito presidente da Assembleia Legislativa na próxima sexta-feira, 1/02.

A administração do governador Ronaldo Caiado (DEM) mal começou mas os bastidores da política já estão agitados. Na Assembleia Legislativa, os grupos caiadistas e marconistas se digladiam sob o olhar dos chamados independentes e da oposição de esquerda. Uma vitória da oposição na eleição da Mesa Diretora põe fogo no processo político.
A eleição na Alego se assemelha aquela ocorrida na Câmara Municipal de Goiânia, onde um grupo de vereadores de situação se uniu as chamados independentes e parcela da oposição para eleger um nome que dialoga com os dois setores. A vitória do vereador Romário Policarpo (Pros) só foi possível pela aliança do grupo liderado pelos vereadores oposicionistas Elias Vaz (deputado federal eleito)  e Jorge Kajuru (senador eleito) e com apoio de governistas como Clécio Alves (MDB) e Leia Klébia (PSC), os chamados independentes Anselmo Pereira (PSDB),  Alysson Lima e Vinícius Cirqueira (deputados eleitos).
O mesmo processo pode se suceder na Assembleia Legislativa,onde governistas de primeira hora, como os deputados Iso Moreira e Dr. Antônio, do DEM, costuram chapa com veteranos como Cláudio Meirelles (PTC) e novatos como o Delegado Valdir do Prado (PV) e o oposicionista Lyssauer Vieira (PSB).
Na Câmara de Goiânia um dos nomes por trás das articulações que levaram à vitória de Romário Policarpo foi o senador eleito Vanderlan Cardoso (PP). Nas eleições para prefeitura de Goiânia em 2016 ele teve o apoio da maioria dos vereadores que compuseram a chapa com Policarpo. O grupo anunciou após a vitória que tem projeto para a sucessão do prefeito Iris Rezende (MDB) em 2020, e um dos nomes é o de Elias Vaz (PSB), que ao lado de Jorge Kajuru (PRP) e de Anselmo Pereira (PSDB) figuram como opções para a disputa.
Articulação
Na Alego o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) é o mentor da chapa alternativa ao governista Alvaro Guimarães (PR). Seu grupo totaliza onze votos, considerando os seis deputados do PSDB, os dois do PSD, um do PTB (Henrique Arantes), outro do PP (Cel. Adailton) e o voto do próprio Lyssauer Vieira (PSB). A bancada dos ditos independentes conta com pelo menos quatro votos representados pelo Delegado Valdir do Prado (PV), Alysson Lima (PRB),  Thiago Albernaz (SD) e Virmondes Cruvinel (PPS). São, portanto, quinze votos que podem mudar o jogo na sucessão da Mesa Diretora.
A influência de um grupo não alinhado ao governo do Estado e da prefeitura na Câmara de Goiânia e na Assembleia Legislativa, aumenta a possibilidade do surgimento de uma terceira via em Goiás, que teria como primeira experiência as eleições na Capital e nas grandes cidades do Estado (Anápolis, Aparecida de Goiânia, Luziânia, Rio Verde, Senador Canedo, Catalão, Trindade, Águas Lindas).
Anteontem (28;01) numa reunião num hotel de Goiânia, foram atribuídos 30 votos a Lissauer, que se mantiver este número poderá ser ungido presidente na posse no dia 1 de fevereiro. Mas, com um dia e uma noite no meio do caminho, muita coisa ainda pode mudar.
Reação
O governador Ronaldo Caiado (DEM) já deve estar atento a estes movimentos. Eleito com a segunda maior votação desde a redemocratização (1982), Caiado ainda trabalha a formatação de sua base de apoio. Embora enfraquecido no Legislativo Estadual e com a imagem arranhada perante o eleitor,  o marconismo não está morto. O MDB, que rachou durante a eleição, permanece dividido  com a reeleição de Daniel Vilela à presidência do diretório estadual. O PT com as eleições de Adriana Accorsi e Antônio Gomide mantém as chances de ter chapas competitivas em Goiânia e em Anápolis.
Com este cenário, o governo não pode menosprezar nenhum aliado, e tem que ficar atento para não começar a gestão com dificuldades desnecessárias nas relações com o Legislativo Estadual.

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