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Diretor do Inpe não resiste e é exonerado colocando em dúvida futuro do Inpe

O presidente da República, Jair Bolsonaro considerou os dados sobre desmatamento divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), “exagerados”. Ricardo Galvão, diretor do Inpe foi à imprensa e saiu em defesa dos dados divulgados pelo órgão: “Posso até ser demitido, mas não se pode atacar o Inpe”, disse em entrevista à Folha de São Paulo. Duas semanas depois da entrevista, ele foi exonerado do cargo nesta sexta-feira (02/08).

Jair Bolsonaro disse que os dados divulgados pelo Inpe atrapalham a imagem do país, são incorretos e exagerados. Ao Jornal Nacional, do dia 20 de julho, um sábado, Galvão que é pesquisador e engenheiro afirmou que Bolsonaro se comportava como estivesse num “botequim”. “Ou seja, ele fez acusações indevidas a pessoas do mais alto nível da ciência brasileira, não estou dizendo só eu, mas muitas outras pessoas”, disse o diretor do INPE.

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Hoje, ele afirmou que as entrevistas que concedeu para explicar-se causaram “constrangimento” ao governo. ““Diante do fato, a maneira como eu me manifestei com relação ao presidente, criou-se um constrangimento que é insustentável. Então eu serei exonerado”. Galvão deu a entender que sua saída foi amigável e em comum acordo entre as partes.

Ele teria mais um ano à frente do cargo, mas o regimento do instituto permite que o diretor do órgão poderiam ser substituído pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Comunicações caso haja perda de confiança. O ministro Marcos Pontes, condutor da pasta já o comunicou da exoneração após duas horas de reunião na manhã de hoje.

De acordo com o diretor a conversa com Pontes foi extremamente produtiva. O ministro conversou comigo de um jeito muito cortês, e o que me deixou muito feliz foi a preservação do Inpe”, mencionou.

Dados sobre o desmatamento

A polêmica em torno do assunto começou no último 19 de julho, em um café da manhã com jornalistas internacionais. Naquela sexta-feira, um repórter questionou Bolsonaro sobre os números de desmatamento divulgados pelo Inpe. O presidente ficou irado e sugeriu que os números não eram verdadeiros. “Com toda a devastação de que vocês nos acusam de estar fazendo e ter feito no passado, a Amazônia já teria se extinguido”, disfarçou. Ele também afirmou que o Inpe deveria estar “à serviço de alguma ONG”.

Na sequência, ele disse que falaria pessoalmente com Ricardo Galvão. Voltou atrás na sequência. “Eu não vou falar com ele. Quem vai falar é o Marcos Pontes, talvez o Ricardo Salles”, disse há alguns dias.

Em live transmitida na manhã de ontem (01/08)com participação da imprensa, o ministro do Meio-Ambiente Ricardo Salles, reconheceu que os dados sobre desmatamento são legítimos, “mas que os números eram frutos de gestões passadas”.

Ele quis rebater os números do próprio Instituto que mostravam um aumento de 88% do desmatamento na Amazônia apenas em junho.

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