21 de fevereiro de 2024
Brasil • atualizado em 23/02/2022 às 18:52

Contrário ao aborto, Bolsonaro já defendeu que decisão caberia ‘ao casal’

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou “a esquerda” pela defesa de regras mais flexíveis sobre o aborto e foi às redes sociais na noite desta terça-feira, 22, lamentar a decisão da Colômbia de descriminalizar o ato até 24 semanas de gestação, em um aceno claro à sua base de apoiadores evangélicos. No passado, contudo, o chefe de Executivo já disse considerar que a interrupção de uma gravidez deveria ser decisão do casal e admitiu, inclusive, ter sugerido à sua ex-esposa, Ana Cristina Valle, que não prosseguisse com a gestação de Jair Renan, seu filho “Zero Quatro”.

Em entrevista concedida em 2000 à revista IstoÉ Gente, que voltou a circular em grupos de mensagens e nas mídias sociais após as declarações de ontem, o presidente foi questionado sobre a legalização do aborto e respondeu: “Tem de ser uma decisão do casal”. Depois, completou: “Já (vivi tal situação). Passei para a companheira. E a decisão dela foi manter”.

Colômbia

Na segunda-feira, dia 21, o mais alto tribunal da Colômbia decidiu descriminalizar o aborto nas primeiras 24 semanas de gestação, o que reacendeu o debate sobre o tema também no Brasil Em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, Bolsonaro tem apostado na pauta de costumes e tentado fidelizar o apoio dos evangélicos, uma de suas principais bases eleitorais.

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“No Brasil, a esquerda festeja e aplaude a liberação do aborto até o 6° mês de gestação, lamentavelmente aprovado na Colômbia. Trata-se da vida de um bebê que já tem tato, olfato, paladar e que já ouve a voz de sua mamãe. Qual o limite dessa desumanização de um ser inocente?”, escreveu o presidente, no Twitter. “No que depender de mim, lutarei até o fim para proteger a vida de nossas crianças!”, acrescentou.

Na mesma entrevista à IstoÉ, em 2000, Bolsonaro disse ser católico, mas que era “coisa rara” ir à igreja.

Em razão dessa mesma entrevista, Bolsonaro foi questionado sobre seu posicionamento sobre o aborto na campanha presidencial de 2018. À época, ele reforçou que é contra o procedimento e que não tinha “ascendência” sobre a ex-mulher Ana Cristina Valle para tomar qualquer decisão sobre o tema. À Folha de S Paulo, declarou que quando Renan nasceu, ele fez um exame de DNA e “assumiu” a criança. (Estadão Conteúdo).


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