“As Forças Armadas estão vacinadas”, diz general sobre intervenção militar

O general Augusto Heleno, em entrevista à Folha de São Paulo, opina que, apesar do pedido de “intervenção militar” exposto em muitas faixas de protestos, as Forças Armadas não entendem que este seja o caminho para o país. “As Forças Armadas estão vacinadas, não pretendem isso, não buscam isso e de maneira nenhuma trabalham para isso”, disse ele. No protesto dos caminhoneiros, as faixas com o pedido de ação dos militares ganharam destaque em vários pontos de bloqueio.

Questionado se haveria, entre os militares do Exércio, Aeronáutica e Marinha, manifestações de apoio à intervenção militar, o general afirmou: “Posso lhe garantir que os oficiais e generais da ativa afastam essa possibilidade, repudiam esse tipo de manifestação”.


Trecho da entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo:

Folha de São Paulo – Como o senhor vê os pedidos de intervenção militar presentes nos protestos dos caminhoneiros?

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General Augusto Heleno – Não são só os caminhoneiros. Há um crescimento exponencial desse tipo de manifestação. Não é igual a 64, mas é semelhante, guardadas as enormes diferenças e devidas proporções.

A semelhança é esse clamor popular pela intervenção militar. É um sentimento que vai crescendo na população que enxerga nos militares a solução para o problema nacional. Mas as Forças Armadas estão vacinadas, não pretendem isso, não buscam isso e de maneira nenhuma trabalham para isso.

Folha de São Paulo – Nas Forças Armadas, há quem defenda intervenção?

General Augusto Heleno – Posso lhe garantir que os oficiais e generais da ativa afastam essa possibilidade, repudiam esse tipo de manifestação. É lógico que as Forças Armadas se sentem lisonjeadas pela credibilidade que essas faixas demonstram, mas têm plena consciência de que esse não é o caminho. O caminho são as eleições que vão acontecer.

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