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quarta-feira, 28 julho 2021

Ao atingir 20 mil mortes em Goiás, Goiânia relaxa medidas contra a Covid-19

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Goiás atingiu nesta sexta-feira (16) a marca de 20 mil mortes pela covid-19. O boletim da Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO) foi fechado à tarde com 19.994, mas no fim do dia as duas dezenas de milhares de óbitos causados pelo coronavírus se confirmaram. Em meio ao contexto, a capital Goiânia passa a relaxar medidas contra a contenção da doença. 

Foram quase 16 meses desde o primeiro óbito, de uma idosa de Luziânia em 26 de março de 2020, até que esta marca fosse atingida. De lá para cá, Goiás viveu vários momentos distintos da epidemia.

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Depois do arrefecimento, os goianos conviveram com maior liberdade nos meses que viriam. No fim do ano, porém, o prenúncio do caos que se instalaria no país, incluindo Goiás, era visto na Europa.

Um cenário com mutações mais infecciosas e, algumas, mais letais, iniciou uma segunda onda, bem maior que a primeira no Velho Continente.

Por aqui, o governador Ronaldo Caiado apostava que a vacinação poderia conter o que se via noutros continentes. As vacinas, porém, não foram mais velozes que o Sars-CoV-2.

Depois das festas de fim do ano, o contágio andou a galope. A imunização, por sua vez, veio só no dia 18 de janeiro. Não bastasse o atraso, a lentidão fez incólume o recrudescimento da epidemia.

P1 e colapso

Goiás começou o mês de fevereiro com cerca de 250 leitos de UTI na rede estadual de saúde exclusivos para covid-19. Até ali o cenário era de certa folga na ocupação, tanto que o estado, àquela época com 7.487 mortos, cedeu vagas em seu sistema a pacientes do Amazonas, que já via sua rede hospitalar chafurdada num segundo colapso em menos de um ano.

O caos no estado do Norte advinha da então variante P1, hoje nomeada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de Gama. Ela se provava mais infecciosa e, numa novidade até então, responsável por casos graves num contingente maior de jovens. Idades outrora com baixa letalidade não demorariam a ser maioria nas camas de hospital de todo o país.

Quando a então P1 foi identificada em Goiás pela primeira vez, em 9 de fevereiro, parecia já ser tarde para prevenir uma contaminação comunitária. Em pouco mais de um mês, uma pesquisa de sequenciamento genético conduzida em Goiânia pela Universidade Federal de Goiás (UFG) mostrou que aquela variante era predominante na capital, responsável por 87% dos casos.

A evolução do Sars-CoV-2 transformou o vale da curva epidemiológica rapidamente numa montanha. Muitos dos casos logo se converteriam em hospitalizações. Hospitais ficaram rapidamente lotados. Em alguns dias, a rede hospitalar do estado, que viu sua capacidade chegar a quase 600 leitos no fim de março, teve dias superiores a 100%. O cenário também foi de colapso na rede de Goiânia.

Não bastasse a falta de vagas e de profissionais, que também já cediam à exaustão, suprimentos médicos se esgotaram. Vários hospitais, especialmente os particulares, davam notícia da falta de remédios essenciais para a intubação, procedimento mais comum para tentar salvar vidas daqueles que contraiam a covid. O oxigênio também foi motivo de preocupação.

Novas restrições

Após vários meses de certa liberdade, os goianos foram novamente conclamados a se enclausurar. No fim de fevereiro, Rogério Cruz e Gustavo Mendanha, prefeitos das duas maiores cidades da Grande Goiânia, lideraram um movimento para anunciar restrições e evitar o contágio.

No dia 26 daquele mês, foram anunciados sete dias de lockdown, com permissão para funcionamento apenas daquilo que era essencial. Esse prazo, posteriormente, foi prorrogado.

Mais tarde, seguindo um mapa de classificação de risco elaborado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-GO), o governo do estado tomou a dianteira e proibiu municípios que estivessem em regiões enquadradas como em calamidade de definirem as próprias regras. Prevalecia o decreto estadual, que ali estabelecia 14 dias de revezamento de funcionamento das atividades não essenciais e outras duas semanas de fechamento delas.

Cidades como Aparecida de Goiânia, contudo, voltaram ao caminho que havia mostrado efetividade em 2020, com o escalonamento regional na divisão por macrozonas. Apesar das constantes pressões, a prefeitura local não cedeu e manteve seu próprio mecanismo de combate.

As medidas deram certo, claro, com uma certa distância temporal. Em abril a taxa de ocupação começou finalmente a baixar, mas ainda era de 90%. O contágio, todavia, já não era descontrolado como fora. As flexibilizações então se iniciaram com mais vigor.

No fim de maio e em junho, temores de uma terceira onda começaram a se justificar com o que as autoridades ali classificavam como ‘repiques’. O sistema passou novamente a ser pressionado, mas resistiu.

No cálculo cruel, a prova de que Goiás viveu a fase mais dura da epidemia: foram 12,5 mil mortes em menos de 180 dias, num número 66% maior do que o que se viu nos primeiros 300 dias convivendo com o Sars-CoV-2.

Vacinação e maiores flexibilizações

A vacina, aquela que era a esperança de espantar a segunda onda, talvez tenha sido a responsável por evitar uma terceira até aqui. Quando a campanha ganhou fôlego, os casos começaram a ceder em todo o país, assim como no estado.

Embora os índices ainda mantenham o alerta ligado, autoridades de saúde mostram-se otimistas com os próximos meses. Em Goiás, já há conforme dados da SES-GO, pelo menos 12 municípios com mais de 60% de sua população vacinada. Nesses locais, o vírus tem sido varrido.

A confiança na campanha de imunização levou a maiores flexibilizações nas principais cidades. Aparecida de Goiânia suspendeu o escalonamento regional após 132 dias, voltando ao cenário do segundo semestre de 2020.

Num ato inédito em toda a epidemia, Goiânia liberou cinemas, teatros e o circo. Bares, restaurantes, o comércio e o setor de serviços tiveram a capacidade e o horário de atuação ampliados. Até mesmo os eventos voltaram.

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