Os homens do Plano Real, no cinema, e Ana Carla Abrão, ex-secretária da Fazenda de Goiás e ex-diretoria do Itaú.
Os homens do Plano Real, no cinema, e Ana Carla Abrão, ex-secretária da Fazenda de Goiás e ex-diretoria do Itaú.
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Ela assistiu e não gostou do filme “Real, o plano por trás da História”, sobre o Plano Real. A ex-secretária da Fazenda de Goiás, Ana Carla Abrão Costa, esposa de um dos integrantes da equipe econômica que atuou durante a execução do Plano, Pérsio Arida (interpretado no filme por Guilherme Weber), afirmou que o filme é “um relato absurdo, inverossímil e mentiroso daquele que é um dos eventos mais importantes da nossa história econômica”.

Segundo ela, foram 2 horas de desperdício no cinema e acusa a produção de ser um atentado contra a memória do país.

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“Como economista, que viveu aqueles tempos, e como cidadã, que conviveu com a inflação por décadas, é uma pena perceber que gastei 2 horas do meu domingo assistindo a um filme que poderia ser um registro histórico, mas que nada mais é do que um desrespeito à nossa memória”, disse ela no perfil que publica opiniões no Facebook.

O filme tem a co-produção da Globo Filmes e direção de Rodrigo Bittencourt.

Veja o trailler do filme:

Crítica ao filme

A crítica do site Adoro Cinema, de Francisco Russo, considerou o filme fraco e “inspirado em estética de videoclipe. Ele escreveu:

“Por mais que acompanhar os bastidores do plano Real seja interessante pelo lado da ambição humana em um cenário político tão degradado e inconstante quanto o brasileiro, não se pode deixar de apontar os problemas, técnicos e conceituais, por trás do longa-metragem. Com um claríssimo discurso de exaltação de um grupo político em detrimento ao outro substituindo o importante debate em torno da escolha entre acumular riquezas e investir em desenvolvimento, o filme ainda apresenta informações de forma capciosa para atrair o espectador desatento a partir de notícias dos dias atuais. É o caso da citação ao juiz Sergio Moro em um contexto histórico até pertinente, mas jamais de tal importância para ser lembrado da forma que acontece”.

O filme tem recebido duras críticas de outros especialistas. Alysson Oliveira, do Cineweb analisou que o filme não serve como releitura da história e esse pode ser o principal aviso aos que forem ver o filme:

“É um tanto inevitável buscar paralelos entre 1993, quando se passa o longa Real – O Plano por trás da História, e a crise econômica, social e política que o Brasil atravessa no presente. Mas também é infrutífero querer nivelar os dois momentos pela mesma régua. Dessa forma, o filme de Rodrigo Bittencourt (Totalmente inocentes) força o bonde da história na tentativa de buscar ecos do passado no presente – especialmente numa menção um tanto artificial ao juiz Sérgio Moro já perto do final da trama.
 
Ao centro de Real… está o economista Gustavo Franco, uma espécie de anti-herói arrogante, grosseiro e megalomaníaco que transforma num ato de resistência aguentar os poucos mais de 90 minutos protagonizados por tal personagem, interpretado por Emilio Orciollo Netto.
 
Trabalhando com um roteiro de Mikael Albuquerque – escrito a partir do livro 3.000 Dias no Bunker, de Guilherme Fiuza –, Bittencourt vê a equipe econômica que criou o Plano Real, em meados dos anos de 1990, como uma espécie de gângsters descolados da economia – a cena deles andando de óculos escuros em câmera lenta parece saída de 11 Homens e um Segredo -, renegados a uma espécie de porão em Brasília, com suas ideias para salvar o país da crise, capitaneados por Fernando Henrique Cardoso (Norival Rizzo), na época ministro da Fazenda.
 
É bem verdade que o roteirista e o diretor tentam injetar algum ânimo a uma trama que se baseia em gente discutindo economia de forma didática e acessível. Dessa forma, tudo acaba meio raso, e o que domina é a figura de Gustavo, cuja trajetória é o fio condutor da narrativa. Nesse sentido, Real… transforma-o num mártir da modernidade, sacrificando sua vida pessoal, impulsionado pelo seu ego gigantesco para criar o plano econômico e protegê-lo de qualquer pessoa que seja uma ameaça contra sua cria.
 
Outras figuras reais entram e saem de cena sem deixar muita marca – como Pedro Malan, interpretado por Tato Gabus Mendes; Pérsio Arida, no filme, maior desafeto de Gustavo dentro da equipe, e feito por Guilherme Weber; e José Serra, que esnoba com gosto o economista e é vivido por Arthur Kohl. Mas o melhor personagem desse grupo é mesmo Itamar Franco, no filme representado por Bemvindo Siqueira. Com seu topete infalivelmente descabelado, o ex-presidente (em sua versão do cinema), sempre preocupadíssimo com os pobres do Brasil, é o alívio cômico em meio a um filme que desperta mais risinhos amarelos do que simpatia.
 
Há também personagens totalmente fictícios que condensam em si algumas questões – como a assessora pessoal de Gustavo, Denise (Mariana Lima), que, em alguns momentos, funciona como um pêndulo moral. Mas o mais interessante, embora apareça pouco, é um político do PT, interpretado por Juliano Cazarré, cujo sotaque caipira nunca faz muito sentido. Primeiro, aparece como aliado de FHC, pedindo o seu apoio. Depois, mais para o final, é motivo de chacota de Gustavo, quando este depõe numa CPI.
 
Real – O Plano por Trás da História é pobre em suas caracterizações, tem ritmo irregular e uma trilha sonora insuportavelmente onipresente, assinada pelo diretor e Maycon Ananias. E acaba sendo tão inócuo como cinema tanto quanto como releitura da História”. 

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